.MÚSICA POPULAR BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA - MPBC(a série quase perdida da Philips-Phonogram-Polygram)Entre 1978 e 1981, através da série M.P.B.C. - Música Popular Brasileira Contemporânea, a Phonogram-Polygram se propôs a mostrar a gama diversificada de tendências a época reveladas na música instrumental feita no Brasil, por profissionais instrumentistas, compositores e arranjadores, dispostos a encontrar o seu espaço dentro da música popular brasileira, ampliando o seu campo de ação e reconhecimento.1978Djalma Correa (LP 6349 337)Marcos Resende & Index (LP 6349 374)Nivaldo Ornelas (LP 6349 375)Nelson Ayres (LP 6349 376)1979Octavio Burnier (LP 6349 402)1980Stenio Mendes (LP 6349 445)Luiz Cláudio Ramos (LP 6349 446)Aécio Flávio & Quartezanato (LP 6349 448)Túlio Mourão (LP 6349 447)1981Robertinho Silva (LP 6328 229)Célia Vaz (LP 6328 300)_______
Através de uma caçada árdua, durante os últimos 7 anos, sem encontrar informações precisas e completas sobre a série, fui conseguindo os LPs. Alguns em golpes de sorte, garimpados em sebos aqui em São Paulo, outros emprestados de colecionadores e de pessoas que acabaram se tornando amigas, e um deles emprestado pelo próprio artista. Alguns chegaram e voltaram para os donos, via Sedex. Outros entregues com o máximo cuidado, e bastante aflição dos donos, em minhas mãos. Um deles só fui saber da existência quando por acaso achei num monte desorganizado de LPs, numa prateleira "outros" de uma loja de discos usados.Agradeço a todos que colaboraram com este processo, e a quem puder trazer mais informações sobre a série.Apesar de dar por encerrada a caçada, com 11 títulos, adoraria descobrir que não consegui completar a série toda !! Bruxa do Vinil, agosto de 2006.
_______Trecho de entrevista de Roberto Santana a Aramis Millarch em 1978Roberto Santana produziu a Série MPBC na PHILIPS.Fonte: Acervo Aramis Millarch (http://www.millarch.org/audio/roberto-santana)"AM - Antigamente, há 20 anos atrás, quem dirigia uma gravadora era o diretor artístico. Hoje é o diretor de marketing. Até que ponto você, como um criador, um homem que conhece o Brasil, que tem gosto da realidade, consegue vencer o diretor de marketing e fazer um trabalho artisticamente válido?RS - Não, veja bem, eu acho que uma coisa não pode separar da outra. Nós trabalhamos em uma multinacional, uma indústria. Lá não é a casa do artista, A casa do artista fica em Jacarepaguá. Lá o artista é bom no momento que ele tem talento, que ele produza e que ele venda. No momento que ele não produz e não vende, ele deixa de ser bom para a empresa, mas não para Roberto santana, a pessoa. Tem vários artistas que eu tive a infelicidade de mandar embora, que eu adoro como artista. Mas que dentro de um plano industrial, esse artista é um condenado.À multinacional interessa a lucratividade, e cada vez maior, e isso é natural. É um comércio, como outro qualquer. É o comércio da arte, é a industrialização da arte.Mas no meio desta guerra toda a gente consegue que a nossa matriz, a Holanda, aprove um projeto ousadíssimo. Ousadíssimo! Repare bem que nós conseguimos a aprovação de 12 LPs, com o músico brasileiro, e dentro de 30 dias nós estaremos lançando a primeira série de 4 LPs com os seguintes músicos: Nivaldo Ornelas. Disco instrumental! Experimental! Com o maior tratamento gráfico já dado a um disco até hoje. Desenhos de um grande artista de Niterói, chamado Aldo Luiz. Bico de pena, feito na melhor gráfica do país, que fica em São Paulo. Todo o tratamento de disco, de prensagem, de tudo, do melhor material possível.Primeiro músico, se chama Nivaldo Ornelas. Segundo Músico, Marcos Resende e o Grupo Index. Terceiro músico, Nelson Ayres e sua banda de jazz de São Paulo. Quarto músico, Djalma Correa, o maior percussionista que tem neste Brasil, vivo. O maior, para mim não tem ninguém, nem Naná, nem Marku, com todo o respeito que eu tenho a eles. Com todos os grandes, Hermes Trimegistos, Ariovaldo, muito bem, agora ninguém encosta no Djalma, em criatividade, em musicalidade, em nada. Realmente é um professional da percussão.Então, esse projeto, nós conseguimos na guerra, porque não interessa, não é para vender, isso é até para dar. Sabe, vamos dar ao povo. Para saber que tem músicos no Brasil. Vamos dar condições...estamos dando, com isso, condições ao músico brasileiro de poder amanhã cobrar direitos conexos.Que adianta hoje, o sindicato dos músicos querer cobrar direitos conexos às gravadoras? Não adianta, músico não vende disco no país. O nome daquele baixista..? Ah...Ray Brown...quando ele cobra direitos autorais num disco, é porque sse cara é importante internacionalmente. Esse cara ajuda a vender o disco porque tem músico no mundo inteiro ligado nesse cara. Agora, por exemplo, o Luizão, um dos melhores contrabaixistas que tem neste país, ou o maior contrabaixista, sai na contracapa do disco o Luizão. Ele ajuda a vender disco? Não ajuda. Nem quem vive no meio sabe quem é o Luizão, infelizmente!Agora, esse processo, tá dando condições, amanhã ou depois, de dizer "participação de Nivaldo Ornelas", e a gravadora vai ter que pagar direitos conexos. Porque? Porque Nivaldo Ornelas é um nome, é um artista conhecido. Porque bons, não tem músico melhor do que os brasileiros no mundo. No mundo! Você vê que os músicos brasileiros saem e fazem sucesso lá fora. Vários, não é? Egberto Gismonti acabou de ganhar o Grammy, não é?AM - E quem serão os outros músicos que vão entrar na série? Ou não está definido ainda?RS - Não, não está definido e eu, particularmente te direi, não posso dizer ao vivo porque aí é um negócio de concorrência, cria problema. Posso te dizer um, porque estou com o contrato assinado com ele. Por causa deste projeto ele pediu recisão de uma concorrente, da RCA. Chama-se Sivuca, esse está contratado. Por causa deste projeto. Eu não prometi mais nada a ele a não ser fazer este projeto. Ele vai mostrar o que é um acordeon.AM - Nesse projeto, vocês não pagam o músico, vocês dão estúdio e ...?RS - Eu dou estúdio e dou uma verba de sessenta mil cruzeiros, e eles não se incomodam mais com nada. Eu dou 15 sessões de estúdio para eles, ou seja, 90 horas de gravação. Ele grava o disco dele e eu dou sessenta mil cruzeiros para ele pagar os músicos dele. Eu não tenho condições de pagar os músicos dele.AM - Aí ele tem direito a royaltes?RS - Só Roberto Carlos tem os royaltes que estes músicos tem. Nós demos, em contrapartida, 10% de royaltes sobre o disco. Marku, por exemplo, é 7%, Zizi 7%,que é uma faixa já boa, média. Mas o maior artista brasileiro em vendagem, que é o que interessa à gravadora, é Roberto Carlos. Ele vende,ele recebe 10% da CBS. É o máximo que se pode pagar e esses músicos vão receber 10% "
Áudio da entrevista completa:http://www.millarch.org/audio/roberto-santana_______
Agora eu pergunto: Será que foram mesmo 12 títulos? Pelo que sei, o disco do Sivuca nunca foi lançado pela série MPBC. Será que foi substituido ou ficaram mesmo nos 11 títulos?Bruxa do Vinil, março de 2010.