Recital de Helena Jank no Espaço Cachuera!: O Cravo Após o Barroco (25-06-2009)
A cravista Helena Jank apresenta-se no Espaço Cachuera! dia 25/6 (quinta-feira), às 21h, comemorando a inauguração do cravo William Dowd no local. Raro, com alta qualidade sonora e fabricado em Paris por William Dowd em 1983, o cravo, de dois teclados e três registros de cordas, pertenceu anteriormente à cravista Maria Lúcia Nogueira, que será homenageada neste recital.
O Cravo Após o Barroco
O cravo foi o instrumento de todos os compositores para teclado, a partir da segunda metade do século XVI, durante todo o século XVII e na primeira metade do século XVIII. Durante este período esteve presente em todas a cortes da Europa, na música sacra e secular, como solista, em música de câmara e como instrumento acompanhador em todas as obras orquestrais.
No final do século XVIII ele caiu em esquecimento, para ser ressuscitado no início do século XX graças à pianista polonesa Wanda Landowska que, apaixonada pelos antigos mestres, decidiu revivê-los usando o instrumento original para o qual eles haviam composto.
Há, no decorrer do século XVIII e início do século XIX, extenso repertório que ainda teria sido composto para o cravo, mas já prenunciava um estilo adequado ao piano – ou que, destinado ao piano, ainda mantinha qualidades características do cravo.
Neste recital, serão apresentadas obras de épocas posteriores à época de ouro do cravo, como a Sonata em si bemol maior de Carl Philip Emmanuel Bach, cujo estilo remete ao Sturm und Drang (tormenta e angústia), movimento literário surgido na Alemanha entre 1760 e 1780, que se caracterizava pelo forte contraste entre momentos de equilíbrio e arroubos temperamentais, e as Três Lições do Padre José Maurício, que marcam a chegada do cravo ao Brasil, em um repertório destinado ao estudo do fortepiano.
O século XX tem, neste recital, duas principais correntes representadas: Osvaldo Lacerda, que mantém e valoriza as características sonoras do instrumento, em uma sonata cujos temas são extraídos do riquíssimo folclore brasileiro, e Giörgy Ligeti, com uma abordagem absolutamente inconvencional, minimalista, que explora aspectos acústicos também inerentes ao instrumento, mas até então não observados em um contexto de criação musical.
Sobre a solista
Helena Jank iniciou seus estudos em São Paulo. Fez o curso de graduação em cravo, sob orientação de Li Stadelmann; após ser aprovada com louvor nos exames finais, foi convidada por Karl Richter a continuar os estudos de pós-graduação em sua Meisterklasse, e ao mesmo tempo integrar a famosa Orquestra Bach de Munique, por ele dirigida. Recebendo o título de Meister em cravo, iniciou uma fase intensa de apresentações e concertos que a levaram a várias cidades da Europa, como solista e como integrante das mais conhecidas orquestras de câmara, entre elas a Münchener Bach-Orchester, dirigida por Karl Richter.
Retornando ao Brasil, coordenou o GRUPO MUSICAMARA de São Paulo, com o qual viajou pelo Brasil divulgado a música barroca. Foi integrante também da Orquestra de Câmara de Blumenau, sob a regência de Norton Morozovicz.
Defendeu tese de doutorado em música pela UNICAMP em 1988. Foi coordenadora dos cursos de Pós-Graduação, entre 1995 e 1999, e Diretora do Instituto de Artes entre 1999 e 2003. Atualmente, após vários mandatos em cargos de coordenação e direção na UNICAMP, retorna às atividades artísticas, com especial dedicação ao repertório de música brasileira – tanto do Brasil colonial, quanto da produção contemporânea –, além do estudo das obras tradicionais para cravo solo e de música de câmara.
O Cravo Após o Barroco - Recital de Helena Jank
Onde: Espaço Cachuera!
Quando: 25 de junho de 2009, às 21h Rua Monte Alegre, 1.094 – São Paulo – SP Ingressos: R$ 20, 00 e R$ 10,00 (meia entrada para estudantes, professores, músicos e aposentados mediante comprovação) Capacidade: 100 pessoas
Mais informações: (11) 3872 8113 . 3875 5563 www.cachuera.org.br